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	<title>com mic ninguém pode</title>
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	<description>só mais um blog, como diria o sr. wordpress.</description>
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		<title>com mic ninguém pode</title>
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		<title>amor fraterno</title>
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		<pubDate>Tue, 10 Nov 2009 21:07:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[the crazy bitch around here.]]></category>

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		<description><![CDATA[
Estava pensando em como criança é cruel. E, sobretudo, como eu fui cruel quando criança. Logo eu, essa bocó que sou hoje.
Minha principal vítima era minha irmã. Até ela ficar mais forte que eu.
Quando ela ainda era bebê, enchi a boquinha da recém-nascida irmã de miolo de pão. Eu vi que a pobre estava faminta. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=154&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-153" title="chorando" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/11/chorando1.jpg?w=360&#038;h=426" alt="chorando" width="360" height="426" /></p>
<p>Estava pensando em como criança é cruel. E, sobretudo, como <em>eu</em> fui cruel quando criança. Logo eu, essa bocó que sou hoje.</p>
<p>Minha principal vítima era minha irmã. Até ela ficar mais forte que eu.</p>
<p>Quando ela ainda era bebê, enchi a boquinha da recém-nascida irmã de miolo de pão. Eu vi que a pobre estava faminta. Minha mãe, no entanto, chegou a tempo de não ter uma filha falecida e outra presa por homicídio doloso.</p>
<p>Depois disso, taquei talco nos olhos da boneca predileta dela. Só porque mamãe chegou a tempo de eu não fazer isso na dona do brinquedo.</p>
<p>Mas a coisa que eu mais gostava de fazer era mostrar a ela uma ilustração de um livro de capa dura do Pinóquio. Era a parte em que o boneco de madeira fica preso na baleia, e a imagem era de um animal horrendo, com várias fileiras de dentes de uma boca escancarada por toda a página. Ela se desesperava, e eu, em meu mais alto grau de sadismo, me deliciava com todo o seu pânico. A bichinha tremia de medo. E eu de rir.</p>
<p>Mas isso passou logo. Ela teve muito mais força que eu ainda na infância, e toda vez que brigávamos – fisicamente falando – ela sempre levava a melhor. Eu sempre saía muito machucada, porém o meu terror psicológico deixou marcas nela até hoje, porque a maninha ainda morre de medo de mamíferos aquáticos.</p>
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		<title>Afetos de fato</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 14:41:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[
POR IONE NASCIMENTO
&#8220;natural é as pessoas se encontrarem e se perderem&#8221;.
(caio fernando abreu)
certos gestos são tão peculiares que nos transportam a momentos igualmente singulares e é daí que sobrevivem as memórias afetivas ## a hora do café e o ritual que antecede o primeiro gole: a escolha do lugar, a mesa distanciada do vai e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=144&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><span style="font-size:100%;font-family:lucida grande;"><span style="color:#6600cc;"><em><img class="aligncenter size-full wp-image-145" title="kfzim" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/10/kfzim.jpg?w=320&#038;h=240" alt="kfzim" width="320" height="240" /></em></span></span></p>
<p><span style="font-size:100%;font-family:lucida grande;"><span style="color:#888888;">POR IONE NASCIMENTO</span></span></p>
<p><span style="font-size:100%;font-family:lucida grande;"><span style="color:#6600cc;"><span style="color:#888888;"><em>&#8220;natural é as pessoas se encontrarem e se perderem&#8221;.<br />
</em>(</span><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Caio_Fernando_Abreu"><span style="color:#888888;">caio fernando abreu</span></a><span style="color:#888888;">)</span></span></span></p>
<div><span style="font-family:trebuchet ms;"><span style="color:#888888;">certos gestos são<span style="font-size:100%;"> tão peculi</span>ares que nos transportam a momentos igualmente singulares e é daí que sobrevivem as memórias afetivas ## a hora do café e o ritual que antecede o primeiro gole: a escolha do lugar, a mesa distanciada do vai e vem dos garçons; decidir entre descafeínado, capuccino, expresso, pingado, carioca, pequeno ou duplo ## aguardar a chegada das xícaras alinhavando palavras em conversas banais, (pré)sentir o aroma e então, o gesto: o envelope de adoçante levemente sacudido no ar, em seguida, rasgado apenas de um lado e, finalmente, despejado na bebida quente ## faz-se um silencio que apenas permite o som distante de um piano enquanto os primeiros goles vagarosamente são saboreados ## pequenos prazeres que certamente não se repetem com frequência e, por isso mesmo, se constituem prazeres (e <em>pequenos</em> porque valiosos) ## daí, sobrevivem as memórias e os afetos. </span></span></div>
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		<title>Notícias desinteressantes</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Oct 2009 01:02:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[
POR BIANCA KARAM ATHAYDE
 
Nunca consegui assistir a um jogo de futebol por inteiro, somente a pedaços esquartejados de comemorações de vitórias momentaneamente consagradas por um gol ou por coros de torcidas enfurecidas com qualquer jogada frustrada que não compreendo. Vejo somente uma bola rolando – para lados que me parecem idênticos – à revelia de [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=142&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-141" title="futebol" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/10/futebol.jpg?w=497&#038;h=358" alt="futebol" width="497" height="358" /></p>
<p>POR BIANCA KARAM ATHAYDE</p>
<p> </p>
<p>Nunca consegui assistir a um jogo de futebol por inteiro, somente a pedaços esquartejados de comemorações de vitórias momentaneamente consagradas por um gol ou por coros de torcidas enfurecidas com qualquer jogada frustrada que não compreendo. Vejo somente uma bola rolando – para lados que me parecem idênticos – à revelia de jogadores que mais parecem fazer parte da mesma equipe&#8230; de luta livre. Sim, porque as regras são claras e valem pontapés, chutes, braçadas, piruetas pouco dignas, cabeçadas, touradas no abdômen alheio, tapinha na bunda (tapinha na bunda?)&#8230; enfim, vale tudo.</p>
<p>            Há pouco comecei a assistir a uma partida entre Vasco e ABC (seja lá o que a sigla signifique para os machos de plantão)&#8230; há <em>pouquíssimo</em> seria mais correto, pois, enquanto brinco de dedilhar desinteressadamente o teclado, a bola rola. Não só a bola, porque já vi até um dente rolar no meio de campo. Isso mesmo, um dente. Um jogador tenta impedir outro jogador de completar uma jogada. Eu não vejo perigo nenhum, portanto, também não entendo tamanho empenho de um jogador impedir o outro jogador de dar meio passo a frente. Porque nem isso o outro jogador (a futura vítima dessa arena moderna) conseguiu completar, nem meio passo adiante do beiço, que foi interceptado por um punho cruel de boxeador invicto. Cai o jogador e voa o dente&#8230; se a ordem foi inversa, me perdoem, não foi possível registrar. Só sei que o grande corpo ficou estirado esperando o médico da equipe, enquanto a câmera jamais conseguiria admitir que havia também um dente na grama.  </p>
<p>            Eu fico perplexa e fixo os olhos no canto da tela, só pra me certificar de que se trata, ainda, de um jogo de futebol. É um jogo de futebol, afirma convicto o marido no sofá. Sempre foi, eu é que ainda não havia dominado as regras. De fato, vale tudo, da cintura pra baixo, da cintura pra cima, vale até chute no colega do time, se este for muito inconveniente. E, para resolver conflitos, basta recorrer à sinceridade do Ricardinho do ABC, que chuta sem disfarce o jogador adversário e, quando o juiz aponta o cartão amarelo, coloca a mão na boca, mostrando ao juiz sua vingança pelo dente perdido do colega. Afinal, até no futebol deve haver um código de honra e, certamente, arrancar sem anestesia o dente de um jogador não vale.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/commicninguempode.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/commicninguempode.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/commicninguempode.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/commicninguempode.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/commicninguempode.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/commicninguempode.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/commicninguempode.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/commicninguempode.wordpress.com/142/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/commicninguempode.wordpress.com/142/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/commicninguempode.wordpress.com/142/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=142&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<title>A dama e a bandeira</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Sep 2009 17:43:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[
 POR MONICA PINTO DA VEIGA 
Pedro era um rapaz muito envergonhado. Estava sempre com os olhos grudados no chão, caminhava devagar com as mãos nos bolsos, falava baixo e pouco. Só conversava se puxassem conversa com ele, nunca tomava a iniciativa. Não se olhava no espelho e evitava locais que pudessem refletir sua figura: achava-se esquisito. [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=136&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-137" title="Timidez" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/09/timidez.jpg?w=263&#038;h=350" alt="Timidez" width="263" height="350" /></p>
<p> POR MONICA PINTO DA VEIGA </p>
<p>Pedro era um rapaz muito envergonhado. Estava sempre com os olhos grudados no chão, caminhava devagar com as mãos nos bolsos, falava baixo e pouco. Só conversava se puxassem conversa com ele, nunca tomava a iniciativa. Não se olhava no espelho e evitava locais que pudessem refletir sua figura: achava-se esquisito. Gostava mesmo da internet com câmera desligada e dos jogos no computador.</p>
<p> Certo dia, por curiosidade, resolveu passear pelas páginas de amigos no <em>site</em> de relacionamentos e encontrou um nome novo: Carol. Carol&#8230; Carol quem seria? No lugar da foto tinha uma carta comum de baralho, uma dama de copas. Tentando lembrar se a conhecia, apoiou o cotovelo na mesa e, olhando para o teto, esbarrou no teclado abrindo uma janela de conversa. Entrou em pânico, mas antes que pudesse desligar o computador, Carol respondeu com um “oi” todo florido. Pedro prendeu a respiração e por pouco não apertou o botão <em>power</em>. Respondeu um “olá”, e em seguida pediu desculpas. Carol quis saber por que ele pedira desculpas, Pedro não soube responder. Ele perguntou por que ela perguntara aquilo, Carol engasgou no teclado. Passaram horas fazendo perguntas para o outro, até que chegou a noite e chegou a hora do jantar e chegou a hora de dormir.</p>
<p> Carol, no jeito de ser, era parecida com Pedro. Tinha vergonha dos seus cabelos ruivos que chamavam muita atenção e olhava para baixo quando caminhava. Não tinha o costume de conversar no computador, nem no telefone. Era uma moça muito quieta e quando escreveu o “oi” florido para o Pedro foi sem querer: queria ver como era aquele “oi” cheio de flores em volta. Mas Pedro respondeu em vez de desligar.</p>
<p> No dia seguinte, quando Carol ligou o computador, Pedro já estava lá à espera dela. Conversaram, fizeram perguntas um para o outro e começaram a respondê-las. No terceiro dia, Carol chegou antes de Pedro e conversaram, contaram histórias das famílias, falaram de amigos, trocaram ideias sobre livros, revistas, músicas e filmes. Descobriram que gostavam dos mesmos livros, liam as mesmas revistas, baixavam as mesmas músicas e compravam os mesmos filmes.</p>
<p>Muito tempo se passou desde o primeiro encontro no computador. Pedro e Carol eram amigos, mas nunca tinham se visto. No computador, Carol era a dama de copas e Pedro era a bandeira do Flamengo. O vermelho e o preto predominavam, gostavam das mesmas cores.</p>
<p> Um belo dia, descobriram que frequentavam a mesma sorveteria, pediam sempre o mesmo sabor, era possível que já tivessem passado um pelo outro sem saber. Marcaram um encontro: Pedro sugeriu o dia, Carol disse a hora. Pedro acreditou que a iniciativa de marcar o encontro havia sido dele, Carol pensou que fora dela. Pedro e Carol vestiriam camisetas vermelhas para que pudessem se reconhecer.</p>
<p> No dia marcado, na hora combinada, Pedro e Carol chegaram praticamente ao mesmo tempo em uma sorveteria com muitas outras pessoas vestidas de vermelho. Tinha mãe com bebê no colo, </p>
<p>tinha avô com bigodes grandes, tinha pais e filhos, tinha muita gente, todos vestidos de vermelho, saídos de uma festa no clube ao lado.</p>
<p> Pedro, com as mãos nos bolsos, e Carol, com os olhos no chão, pareciam fazer parte da turma da festa no clube. Pedro com os olhos baixos e Carol com os braços cruzados foram se distanciando do balcão, foram andando para fora da sorveteria, foram caminhando para a beira da calçada até que esbarraram um no outro. “Desculpa!” exclamaram ao mesmo tempo em que se olharam. Pedro ficou encantado com aquela moça de cabelos vermelhos e olhos verdes, tão bonita que parecia ter saído de um dos contos de fadas que sua irmã mais nova costumava reler. Carol olhou para Pedro e sentiu faltar uma batida no coração quando ele sorriu ao pedir desculpas. Ele era mais alto que ela, tinha os cabelos castanhos claros e olhos cor de mel. Carol nem imaginava que aquele rapaz bonito era o Pedro com quem ela conversava. Um rapaz bonito daquele jeito nunca olharia para ela, a desengonçada de cabelos vermelhos. Não passou pela cabeça de Pedro que aquela moça linda era a Carol-dama de copas. Uma moça formosa assim não olharia para ele, sujeito tão esquisito.</p>
<p> Nenhum dos dois disse nada, distanciaram-se um do outro, ainda olharam em volta. A sorveteria continuava cheia de pessoas vestindo vermelho. Nunca se encontrariam ali. Não era o dia, não era para acontecer.</p>
<p> Pedro começou a caminhar com as mãos nos bolsos, de volta para casa, quando ouviu alguém gritar seu nome:</p>
<p>– “Pedro!” Quando ele se virou, estava Rodrigo, seu amigo de infância, ao lado da moça de cabelos vermelhos.</p>
<p>– “Que coincidência!” disse Rodrigo para ele. – “Encontrar você e Carol aqui na sorveteria hoje!”</p>
<p> Carol e Pedro se olharam. A dama da copas e a bandeira do Flamengo deram lugar a uma bela moça de cabelos vermelhos e a um rapaz bonito com um sorriso contagiante. Pedro e Carol, envergonhados, mas satisfeitos, pediram um <em>sundae</em> de floresta negra, o sabor preferido dos dois, e conversaram de verdade pela primeira vez.</p>
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		<title>Criador e Criatura</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 18:45:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[
POR JULIO CESAR OLIVEIRA
 
Eu sei, isso pode até parecer uma heresia, ou um paradoxo. Entretanto, pensando do ponto de vista prático, acho que todo mundo está rezando errado. É isso! Temo ter encontrado a solução para um dos maiores problemas existenciais da humanidade: a luta entre o bem e o mal.
Era um dia de folga [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=131&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-132" title="devil" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/09/devil.jpg?w=428&#038;h=600" alt="devil" width="428" height="600" /></p>
<p>POR JULIO CESAR OLIVEIRA</p>
<p> </p>
<p>Eu sei, isso pode até parecer uma heresia, ou um paradoxo. Entretanto, pensando do ponto de vista prático, acho que todo mundo está rezando errado. É isso! Temo ter encontrado a solução para um dos maiores problemas existenciais da humanidade: a luta entre o bem e o mal.</p>
<p>Era um dia de folga e, como tal, estava a relaxar em minha morada até que tive a ideia de passar num mercadinho, pois havia me lembrado de uma receita que não saboreava faz tempo e que muito me apetece. No caminho, passei por um pequeno templo, desses que brotam por aí, bastando uma cadeira de plástico, um quadro-mural, um microfone, uma potente caixa de som e ouvidos resistentes a todos os tipos de evocações e exaltações histérico-religiosas.</p>
<p>Na porta do recinto, sobre uma mesinha modesta de madeira antiga, um curioso livro me chamou a atenção. Na capa, estava escrito: Seu nome no livro de orações! Confesso que pensei numa traquinagem maldosa de adulto ao cogitar o nome de um vizinho chato ou chefe do trabalho, mas, antes de empunhar aquela caneta bic amarrada com barbante e com tampa mordida, caí num dilema: “E se eu colocasse o nome do capeta no livro? Será que rezariam pelo coisa-ruim?”. Sim, afinal dizem que a fé transforma e cura tudo e a todos. Pensem comigo, porque não param de culpar o diabo por todas as mazelas de nossa sociedade e passam a orar por essa criatura de Deus que só pensa em maldade?</p>
<p>Aquela ideia, que era para ser gozação, passou a fazer total sentido na minha cabeça. Imaginei de repente todas as igrejas, templos, seitas, terreiros ou seja lá o que for, orando pelo bem do Beu-Zebu, oras! Pensei na discriminação que o pobre anjo decaído vem sofrendo ao longo de milênios e as tentativas frustradas de ascender ao reino dos céus&#8230; No final de tantos sucessivos fracassos, o capeta só podia descambar para a maldade mesmo, como se “Dick Vigarista” fosse.</p>
<p>Todavia, como o poder dEle não se discute, lanço uma campanha: rezemos por Lúcifer! Chega de exorcimos, de história da maçã, quem nunca errou que atire a primeira pedra. Isso é injusto, pessoal! Quem sabe rezando não aplacamos a fúria de fazer o mal do dito cujo? Ou, então, podemos oferecer uma vaga de político em Brasília em meio a outros santos? Bem, se isso vai funcionar eu não sei. Mas, uma cadeira, lá no céu, ao lado de Deus, não seria tentador?</p>
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		<title>Era para ser ficcional.</title>
		<link>http://commicninguempode.wordpress.com/2009/09/18/era-para-ser-ficcional/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Sep 2009 21:34:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[the crazy bitch around here.]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
Fiz 30 anos mês passado.
Nunca pensei que fosse chegar esse momento, mas ele veio. Rapidamente, aliás.
Pensei em fazer outro piercing, mais uma tatuagem ou, até mesmo publicar um texto neste blog, mas não fiz absolutamente nada. Quer dizer, fiz uma festa. O que fez me sentir muito popular, porque faltou muita gente e, ainda assim, [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=124&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-medium wp-image-127" title="placa-30-anos1" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/09/placa-30-anos12.jpg?w=300&#038;h=225" alt="placa-30-anos1" width="300" height="225" /></p>
<p> </p>
<p>Fiz 30 anos mês passado.</p>
<p>Nunca pensei que fosse chegar esse momento, mas ele veio. Rapidamente, aliás.</p>
<p>Pensei em fazer outro piercing, mais uma tatuagem ou, até mesmo publicar um texto neste blog, mas não fiz absolutamente nada. Quer dizer, fiz uma festa. O que fez me sentir muito popular, porque faltou muita gente e, ainda assim, lotou.</p>
<p>Era para ter mudado muita coisa, mas não mudou.</p>
<p>Sim, saí da casa de mami, tô ganhando melhor (o que não significa que seja bem ainda), tenho mais amigos, minhas amigas antigas estão mais próximas, sei escrever direto no computador – é bem verdade que agora o faço no papel, no meio de uma palestra incrivelmente chata de minha 3ª pós-graduação – e aprendi a comprar roupa sozinha.</p>
<p>Sei o que não quero mais e achei, quando criança, que teria nesta idade: muitos filhos, casamento e casa com quintal. Não quero filhos nem casamento e prefiro apartamentos.</p>
<p>Aprendi a engolir sapos, ideologia e choro. Chamam isso de maturidade. E eu me acho uma adolescente.</p>
<p>E é difícil, sim, fazer essa idade que Honoré marcou tanto. Filho da puta! Ele falou bem, mas só serviu para nos marcar; nós, balzaquianas.</p>
<p>E vou seguindo, sem muitos planos, como sempre. Morrendo de medo de fazer 40.</p>
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	</item>
		<item>
		<title>Paciência de Sanat Kumara</title>
		<link>http://commicninguempode.wordpress.com/2009/07/25/paciencia-de-sanat-kumara/</link>
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		<pubDate>Sat, 25 Jul 2009 18:30:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

POR DANIELA MURAT
 
Eu fritando almôndega numa boca do fogão.  Ela refogando cebola na boca ao lado.
– A senhora tá mais gordinha, não tá?  (Pela segunda vez esta semana).
– Estou inchada por causa da medicação. (Pela segunda vez esta semana).
– Ah&#8230;
– O seu está queimando –,  digo de forma blasé enquanto ela, segurando o cabo da panela com uma [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=113&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-116" title="enfermagem tri" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/07/enfermagem-tri.jpg?w=497&#038;h=201" alt="enfermagem tri" width="497" height="201" /></p>
<p>POR DANIELA MURAT</p>
<p> </p>
<p>Eu fritando almôndega numa boca do fogão.  Ela refogando cebola na boca ao lado.<br />
– A senhora tá mais gordinha, não tá?  (Pela segunda vez esta semana).<br />
– Estou inchada por causa da medicação. (Pela segunda vez esta semana).<br />
– Ah&#8230;<br />
– O seu está queimando –,  digo de forma blasé enquanto ela, segurando o cabo da panela com uma mão e a colher de pau com a outra, contempla meu corpo edemaciado pelos hormônios.<br />
– Ai, meu Deus!  Hi hi hi. – uma risadinha sem gracíssima –  Tô distraída&#8230;<br />
– Tsc, Tsc, Tsc. – viro o rosto de forma negativa, denunciando minha desistência.<br />
Não, meus caros, ela não possui cérebro. Foi formado, por engano, um paralelepípedo em seu lugar. Tenho que ter paciência, ela não tem culpa da embrionária anomalia.<br />
Paciência, aliás, é a palavra de ordem desse meu momento. Uma empregada completamente insana, uma quantidade de hormônios inaláveis, injetáveis e ingeríveis de dar medo, um marido neurótico que não quer me deixar nem tomar um solzinho energizante para não fazer mal e uma expectativa para que tudo dê certo que arrepia minha alma. No centro de tudo isso, me encontro comigo.  Mas não devo ficar nervosa, esse tipo de sentimento não faz bem aos bebês.<br />
O universo me enviou um curso intensivo de paciência, com direito a pós-graduação em abstração, mestrado em tolerância e doutorado em resiliência. Mas não é para menos.  Afinal, estou gerando  meu futuro elevado ao cubo. Já pararam pra imaginar o que pode significar isso?  Um caos de fraldas e chupetas e gritinhos urgentes de “manhê” , entre amedrontadores choros  de fome triplos, e só dois peitos.  Para onde foi a paciência, mesmo?<br />
Mas há também as risadinhas hipnotizantes, aqueles “bocejinhos” angelicais e a cantoria desafinada na festinha do dia das mães que desestrutura qualquer ser que possua sangue correndo nas veias.<br />
E é só tudo isso que faz valer a pena.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/commicninguempode.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/commicninguempode.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/commicninguempode.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/commicninguempode.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/commicninguempode.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/commicninguempode.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/commicninguempode.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/commicninguempode.wordpress.com/113/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/commicninguempode.wordpress.com/113/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/commicninguempode.wordpress.com/113/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=113&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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			<media:title type="html">enfermagem tri</media:title>
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	</item>
		<item>
		<title>A você, que foi o último a saber.</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jul 2009 16:33:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[be my guest.]]></category>

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		<description><![CDATA[ 

POR GLAUCE LEANDRES.
Parece uma sina. Tenho a impressão de que vivo para tentar esquecer. Minhas noites – exceto as insones – acabam por me trair. Eu sonho, vivo e revivo situações. Você não tem me deixado dormir há alguns dias e me pergunto se fiquei te devendo algo. Não vivemos nada assim tão grandioso. Lembro-me [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=109&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p> </p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-110" title="adeus carta" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/07/adeus-carta.jpg?w=275&#038;h=360" alt="adeus carta" width="275" height="360" /></p>
<p>POR GLAUCE LEANDRES.</p>
<p>Parece uma sina. Tenho a impressão de que vivo para tentar esquecer. Minhas noites – exceto as insones – acabam por me trair. Eu sonho, vivo e revivo situações. Você não tem me deixado dormir há alguns dias e me pergunto se fiquei te devendo algo. Não vivemos nada assim tão grandioso. Lembro-me de que, nos dias que antecederam minha partida, arrumei a mala escondida, guardei minhas vitórias só para mim porque achei que você não se interessaria por elas, da mesma forma que seu repentino interesse por mim se esvaiu em meio à descoberta de que talvez fosse a hora de tentar relações mais maduras e cheias de realidade. Você não estava mesmo preparado. Tanto é que anulou a minha presença e impôs a barreira do silêncio para nós. É como sempre digo: respeito espaços. Até demais. A alegria e os sorrisos chocavam-se na tal barreira e reverberavam um constrangimento que não deveria existir. Era inacreditável. E bastante triste. Lembro do teu semblante quando anunciaram a minha ida. Da decepção por não ter sido comunicado com antecedência, e consigo imaginar o amargo na boca e o frio bem no centro do peito. Entende o desconforto? Seria mesmo necessário ter sido o último a saber se não existisse a tal muralha? Dói ser flagrado no erro. “Caramba, perdi uma amiga, fiz tudo errado&#8230;”, você pensou alto. O que eu poderia te dizer? Só fiz o que suas ações me pediam. Perdoe-me se não compreendi o silêncio, mas ele permite uma série de interpretações. Compreenda algo importante: foram poucas noites, mas o amei em todas elas. De maneiras diversas. E deixei de amá-lo a cada vez que pegava o ônibus para voltar à minha casa. Sempre entendi o caráter esporádico dessa paixão – que não permitia ligações, mensagens de qualquer espécie e muito menos menções verbais no dia a dia. Não se sinta culpado, como os que enganam mocinhas inocentes. Já não sou mais mocinha, e a inocência é algo que perdi há bastante tempo. Nesse sentido, consegui ser tão breve e superficial quanto você. Não significa dizer que essa era a minha intenção quando baixei a guarda e deixei você fazer parte do meu imaginário. Outra coisa: não se ache tão importante a ponto de precisar alterar o seu comportamento na minha presença para “não me ferir”. Apenas mantenha o respeito, como você disse outrora ser o sentimento que eu te inspirava. Eu entendi o jogo e, nessa partida, sempre disputamos de igual para igual. Um beijo enorme, amadureça, e me deixa dormir porque não sou herdeira de nada e tenho muito, mas muito o que fazer.</p>
  <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gocomments/commicninguempode.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/comments/commicninguempode.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godelicious/commicninguempode.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/delicious/commicninguempode.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/gostumble/commicninguempode.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/stumble/commicninguempode.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/godigg/commicninguempode.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/digg/commicninguempode.wordpress.com/109/" /></a> <a rel="nofollow" href="http://feeds.wordpress.com/1.0/goreddit/commicninguempode.wordpress.com/109/"><img alt="" border="0" src="http://feeds.wordpress.com/1.0/reddit/commicninguempode.wordpress.com/109/" /></a> <img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=109&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" /></div>]]></content:encoded>
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		<media:content url="http://0.gravatar.com/avatar/ccf17845e89d9cb44a5b473c285af812?s=96&#38;d=identicon&#38;r=G" medium="image">
			<media:title type="html">commicninguempode</media:title>
		</media:content>

		<media:content url="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/07/adeus-carta.jpg" medium="image">
			<media:title type="html">adeus carta</media:title>
		</media:content>
	</item>
		<item>
		<title>corpo fechado</title>
		<link>http://commicninguempode.wordpress.com/2009/06/12/corpo-fechado/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 19:34:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
				<category><![CDATA[the crazy bitch around here.]]></category>

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		<description><![CDATA[
 
Estudei em colégio de freiras até minha quarta série e, ao contrário de quase todas as outras pessoas que frequentaram instituições religiosas, adorava as freirinhas.
                Cheguei lá no meio do ano, transferida de uma escolinha da Baixada Fluminense, e não tinha nenhum amigo disposto a me dar boas-vindas, daí passava o recreio inteiro de braços [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=104&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class='snap_preview'><br /><p><img class="aligncenter size-full wp-image-105" title="biblioteca" src="http://commicninguempode.files.wordpress.com/2009/06/biblioteca.jpeg?w=496&#038;h=306" alt="biblioteca" width="496" height="306" /></p>
<p> </p>
<p>Estudei em colégio de freiras até minha quarta série e, ao contrário de quase todas as outras pessoas que frequentaram instituições religiosas, adorava as freirinhas.</p>
<p>                Cheguei lá no meio do ano, transferida de uma escolinha da Baixada Fluminense, e não tinha nenhum amigo disposto a me dar boas-vindas, daí passava o recreio inteiro de braços dados com a Irmã Francisca, conversando amenidades que uma criança de seis anos pode conversar.</p>
<p>                Foi ela a responsável pela aproximação das crianças. Deviam pensar: “ah, já que a Irmã Francisca gosta dessa pentelhinha nova, ela pode ser legal”. Daí fiz amigos, mas isso depois de muitos recreios de braços dados.</p>
<p>                Adorava todo mundo, da diretora às professoras. Quer dizer&#8230; Esqueci da Irmã Rita.</p>
<p>                Um dos motivos daquele colégio ser tão importante para mim, até hoje, foi o incentivo que dava à leitura, mas, ironicamente, tinha a bibliotecária mais temida de toda a história dos colégios do Rio de Janeiro.</p>
<p>                Para se ter uma ideia, o lugar mais arrumado, limpo, brilhante do colégio era a biblioteca, simplesmente porque nós morríamos de medo de quem tomava conta dela. Uma vez, a desavisada novata entrou na sala proibida dos livros e, maravilhada com tanta estante abarrotada de lombadas convidativas, puxou um título, comentando com os colegas, já trêmulos de medo pela minha audácia, que o livro era muito legal. O grito foi instantâneo. E uma mulher vestida de pinguim saindo de trás das estantes também.</p>
<p>                Fiquei horrorizada, coloquei o livro no lugar onde eu achava que tinha tirado, o que acabou provocando mais impropérios saídos da boca de uma senhora tão inofensiva. Pena que apenas aparentemente. Saí correndo, pálida da biblioteca, com meus colegas atrás com cara de “viu, eu avisei?!”, mesmo sem terem avisado nada.</p>
<p>                Nunca mais entrei naquela sala. Mas, não sei por que, a maldição de Rita não pegou em mim, pois continuei completamente apaixonada por livros. Hoje, ela nem deve estar mais entre nós, porém consigo imaginá-la puta da vida por eu ter feito Letras apenas porque nunca deixei de amar Literatura.</p>
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		<title>Beatriz Bajo, o graal mais lindo.</title>
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		<pubDate>Tue, 02 Jun 2009 20:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>michele paiva</dc:creator>
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POR BEATRIZ BAJO
&#8230;talvez tivesse receio de fazer pesar ternos meus a ponto de envergar o varal de ideia fixa. Cabiam sempre entre uma roupa e outra minhas meias. Meias verdes. Haviam de secar em céu aberto. A umidade é o mistério original&#8230; a secura, a verdade coagulada. Mas verde é cor molhada de sempre e [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=commicninguempode.wordpress.com&blog=7198026&post=94&subd=commicninguempode&ref=&feed=1" />]]></description>
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<p>POR BEATRIZ BAJO</p>
<p>&#8230;talvez tivesse receio de fazer pesar ternos meus a ponto de envergar o varal de ideia fixa. Cabiam sempre entre uma roupa e outra minhas meias. Meias verdes. Haviam de secar em céu aberto. A umidade é o mistério original&#8230; a secura, a verdade coagulada. Mas verde é cor molhada de sempre e quando baixei o varal, a tinta ainda estava fresca. Ingênua tentativa. Temi. Assim como me sinto mais viva molhada, entrei na máquina e lavei-me inteira. Esverdeei. Torci e retrocedi a ponto de dobrar-me quase. Amarrotada. Calcei as meias verdes, pendurei-me com cuidado no varal e estendi-me. Agora aguardo que o sol me quare.</p>
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