Beatriz Bajo, o graal mais lindo.

varal

POR BEATRIZ BAJO

…talvez tivesse receio de fazer pesar ternos meus a ponto de envergar o varal de ideia fixa. Cabiam sempre entre uma roupa e outra minhas meias. Meias verdes. Haviam de secar em céu aberto. A umidade é o mistério original… a secura, a verdade coagulada. Mas verde é cor molhada de sempre e quando baixei o varal, a tinta ainda estava fresca. Ingênua tentativa. Temi. Assim como me sinto mais viva molhada, entrei na máquina e lavei-me inteira. Esverdeei. Torci e retrocedi a ponto de dobrar-me quase. Amarrotada. Calcei as meias verdes, pendurei-me com cuidado no varal e estendi-me. Agora aguardo que o sol me quare.

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