preguiça e ansiedade

eu sempre fui muito preguiçosa; a família sempre reclamou. e acho que a idade está piorando as coisas.

uma preguiça de trocar de bolsa, de arrumar meu guarda-roupa, de pegar o ônibus que passa mais vezes, mas deixa mais longe, de trocar de brinco todos os dias, de usar cordão, de ir ao cinema, de ler (!!!)…

e, ao mesmo tempo, a ansiedade me corrói. não tenho paciência para esperar o relógio da esteira chegar aos 40 e, às vezes, roubo, e saio aos 38 minutos. não tenho paciência para pessoas que não têm senso de comunidade e espaço público. uma vontade de matar quem ouve música alta no celular às alturas e continua respirando e com os batimentos cardíacos normais. uma vontade de chutar quem para no meio da calçada estreita das ruas do flamengo para conversar bloqueando o caminho. uma vontade de explodir os miolos de quem não responde a um bom dia, boa tarde, boa noite, que não agradece e que trata mal as pessoas que considera “inferiores”. uma vontade de trucidar aqueles comerciantes ou prestadores de serviço que tratam os clientes com total desrespeito. uma vontade de surtar com os vizinhos que só falam gritando e que nos obrigam a saber tudo sobre a vida deles. com detalhes sórdidos. uma vontade de gritar ‘se enxerga, minha filha’ para a loja da galeria condor que vende uma bermudinha na superliquidação por R$250,00.

preguiça da humanidade.

 

 

Anúncios