ele cresceu

minha mãe tomava conta dele quando ele era um bebê. e ele era nosso brinquedo. a gente morria de rir nas inúmeras vezes em que ele, tentando andar, batia de cara na parede. e ríamos mais ainda quando ele tentava explicar isso naquela língua fofa e inteligível de bebês. até que a gente descobriu que ele tinha mais de seis graus de miopia em um olho. daí ficamos com dó.

chegou o tempo em que nós ficamos adolescentes insuportáveis e tivemos de morar com ele. ele odiava a gente, mas sempre amou minha mãe incondicionalmente. até chegava a sugerir a ela se separar do meu pai e mandar a gente embora porque ele só queria ficar com a tia dele, não com nós, pentelhos agregados.

era (e é) um filho maravilhoso. obediente. inteligente. caseiro (espero que isso mude; tem muita coisa legal lá fora também). cada um em casa deu um apelido diferente para ele, e ele ainda reclama quando eu o chamo do jeito que minha irmã o apelidou ou qualquer outro que não seja o que eu escolhi. um milagre o pobre não ter tido crise de identidade.

rimos até hoje do jeito que ele dizia “obLigado” e “que saco ter uma prima professora de português” e de quando brincava de super-herói e proferia “em nome do pai, do filho e do espírito santo” como se fosse um grito de guerra.

ontem ele se formou no ensino médio. fiquei cheia de orgulho, mas puta que pariu, eu tô velha.