suburbano coração

355 – tiradentes x madureira de ponta a ponta, em dia de feira da lavradio. depois da volta que dá pela rua gomes freire e praça da república, cai na feiura explícita dos confins da central do brasil. a pobreza ali, escancarada, te dando medo e pena e curiosidade.

quando chega à avenida brasil, já se sente meio em casa. aquela bagunça com cheiro de churrasquinho nos pontos de ônibus da maior avenida do país é tão familiar… afinal, até os cinco anos passou brincando no quintal de uma casa da baixada fluminense e depois mais alguns dez anos no subúrbio irajaense, terra de zeca pagodinho e dos boêmios de irajá. ali, do ladinho de madureira, do mercadão, da portela e do império serrano, escolas de samba que ela nunca frequentou.

foi direto para a dentista, que continua em madureira, no meio do comércio mais popular do mundo (certeza de quem frequenta). o cheiro de comida nada dietética é impregnado em cada passo que você dá.

e a casa da mãe, sempre cheia, com o mesmo cheiro de comida deliciosa… à noite, chopp com a irmã, o afilhado e o cunhado. o bar com música ao vivo. o cantor gordinho enxugava com uma toalhinha o suor que o ar-condicionado não dava vazão de secar. ele pedia “cantem comigo”, mas a galera só o obedecia quando a música era do fabio jr. um rapaz vendia, entre as mesas, estojos de maquiagem como quem vende rosas de madrugada no leblon.

no dia seguinte, a mesa e a casa cheias. a família não sabe ser comedida, e faz comida para quatro batalhões. na verdade, só havia uma grande tropa presente. e muita cerveja. e muita comida. e muita sobremesa. e todo o amor do mundo.