ser tia antes de ser mãe

vini

por tia zezé

 

 

estou aqui para defender uma tese que me veio à cabeça há exatos 365 dias. é bastante confortável defendê-la uma vez que ninguém, jamais, poderá comprová-la: ser tia antes de ser mãe é muito melhor. não me venham as tias que já eram mães quando seus sobrinhos nasceram dizer “nããããão, foi maravilhoso ver a alegria do meu irmão”. sim, claro que foi. mas a emoção de ser tia antes de ser mãe é conhecer de perto o maior amor do mundo e imaginar o quão grande deve ser o amor materno.

quando recebi a notícia de que ele estava a caminho, a alegria foi transbordante. no dia seguinte, já me vi andando pelas lojas e comprando roupas pequeninas de cores neutras, afinal, nem sabíamos ainda se era menino ou menina.

oito dias depois, ele ganhou forma e mostrou que estava realmente lá: as batidas do coração aceleradíssimas. foi impossível conter as lágrimas.

os meses foram passando e só notícias boas chegavam. a cada ultrassonografia ele estava maior. ah, sim! ele mesmo. era um menino!!! mais compras. e com a certeza da escolha das estampas. logo depois, já não era mais o “bebê”, ganhou nome, vinícius. e passou a ser o nome mais bonito de todos os nomes de menino que eu já ouvira.

tudo isso a distância. vinícius crescia a mais de 1.000km de mim. só quando faltava pouco para ele vir ao mundo, pude chegar perto e senti-lo. mexia muito, lembrando sempre que estava entre nós.

eis que o mês de agosto tornou-se um dos mais belos do ano! vinícius chegou. e a cada foto recebida pela internet lágrimas de muita alegria. era amor.

finalmente veio o dia de nos conhecermos. me lembro de cada sensação, de cada gesto. ele dormia, quieto. eu tinha dificuldades de acreditar naquela magnitude. era mágico. depois de nove meses acompanhando cada centímetro, ali estava ele diante dos meus olhos e, minutos depois, nos meus braços. sorrindo. sim, vinícius sorri desde os primeiros dias de vida. não me venha dizer que eram espasmos ou sei lá o quê! vinícius sorri. e por que não ser clichê dizendo que ele nos faz sorrir diariamente quando faz careta para uma papinha, fica cantarolando ao ouvir uma música, faz travessuras e dá os primeiros passos?

a mais nova é levantar o dedo para anunciar ao mundo que tem um ano. um ano de amor puro que sinto ao ver cada foto, ouvir cada som que ele produz e, nos dias de mais sorte, abraçá-lo.

portanto, se dizem que o amor de mãe é o maior de todos, eu posso afirmar categoricamente que o amor de tia só pode ser o mais próximo dele, porque eu não me lembro de tanta emoção nesta vida. e como nenhuma mãe que só se tornou tia depois de amar seu próprio filho sentiu o que senti, reafirmo a minha tese: ser tia antes de ser mãe é muito melhor.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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