ode to my family

mulheres

(por Féfe)

ODE TO MY FAMILY

Hoje é dia do amigo. Data comercial, eu sei. Apesar disso, admiro as homenagens que se espalham pelas redes sociais. Ao menos, é um dia dedicado a lembrar daqueles que nem sempre estão por perto mas fazem diferença em nossa vida. Sendo assim, escrevo para elas.

Tenho a alegria de dizer que fiz muitos amigos nos lugares pelos quais passei. Alguns ficaram no passado, uns poucos antigos ainda caminham comigo e novos cúmplices se juntaram a mim nos últimos anos. As homenageadas de hoje fazem parte de um grupo diverso formado por passado e presente. Em certos momentos, lembranças falam alto e os risos ficam por conta de quem está há mais tempo nesta história. Em outras horas, são os obstáculos de agora que vêm à tona e já não há distinção entre quem esteve na festa de formatura e quem compartilhou a primeira história num sarau da Lapa.

Antigamente, nossos encontros limitavam-se aos aniversários e confraternizações de fim de ano. Porém, de uns tempos pra cá, graças aos recursos tecnológicos, sabemos bem mais umas das outras, da preguiça diária à dor mais profunda. É como se toda noite eu ganhasse de presente um encontro com todas as minhas amigas. Elas representam a alegria e a tristeza cotidianas na dose necessária e real.

Cólica, enxaqueca, roupa nova, reality show, chefe chato, colega invejoso, viagem cara, almoço chique, dieta de sempre (peso nunca!). Cabe tudo na nossa roda. E por tanto partilhar, às vezes as muitas vidas parecem uma só e esquecemos as regras básicas, damos palpites, xingamos e gargalhamos umas das outras. Aí vem alguém e lembra que não pode ser assim. As outras dizem que pode sim e ponto. Parece família. É família. Só pode ser porque é todo dia, o tempo todo. Família é assim.

meu luc

luc

meu luc,

você nasceu há pouco mais de dois anos, e eu descobri quanto amor tinha guardado em mim. há muito tempo decidi que não quero ter filho, mas me lembro de quando falei para a sua mãe que voce também era um pouco meu filho, e ela se emocionou muito, mas você ainda estava na barriga dela, então desconfio que tenha sido os hormônios, porque sua mãe, cê sabe, né?! é aquele poço de humor grosseiro, que a gente nunca entende se é sério o esculacho ou é só para a gente rir.

seu carinho com a gente é tão lindo, meu amor, que me emociona, os áudios que sua mãe me envia em que ouço você contando suas grandes aventuras com o lobo mau, ou quando você chama seu avô babão para dormir na sua casa com a vozinha mais maravilhosa do universo me fazem chorar, eu rio e choro com você, e isso é amor transbordando.

sempre digo que não terei paciência para te aturar na adolescência, que viajarei nos seus 12 anos e só voltarei nos seus 19, mas a verdade é que quero que você seja um cara foda, legal, inteligente e um pouco doidinho, daqueles que eu era apaixonada na adolescência, e que todas as meninas legais se apaixonavam também. tomara também que você não puxe o gosto musical apenas da sua mãe, que você goste das músicas que eu gosto também, as mesmas que quase todos os jovens da família acham chatas, mas tenho esperança em você.

ah, conte comigo para fugir do ciúme da sua mãe. pode levar seus amores lá para casa.

por enquanto, quero seguir participando dos abraços coletivos que você promove, dos abracinhos individuais que você dá, de ouvir como você ama sua bisavó, suas avós, seus avôs… e sua dinda mit, que se derrete com tudo o que você faz. te amo, meu sobrinho, um amor que eu nem sabia que existia em mim. obrigada por isso.